Kompany defende Vini Jr. e critica fala de Mourinho sobre racismo

Revista PLACAR

O cenário do futebol mundial foi novamente abalado por graves acusações de racismo, desta vez envolvendo o atacante brasileiro Vinicius Junior, do Real Madrid, e Gianluca Prestianni, do Benfica, durante um confronto da Champions League. A repercussão do incidente levou o técnico do Bayern de Munique, Vincent Kompany, a se manifestar em defesa de Vini Jr., questionando a postura de seu colega José Mourinho frente à delicadeza do tema. A controvérsia reacende o debate sobre o combate ao racismo no esporte e a responsabilidade de figuras públicas na abordagem desses casos.

A defesa irrestrita de Kompany a Vinicius Junior

Em coletiva de imprensa realizada na sexta-feira, 10, o treinador belga Vincent Kompany, conhecido por sua postura firme contra o racismo, analisou a situação com profundidade. Ele destacou a necessidade de separar os diferentes componentes do incidente: o ocorrido em campo, a reação dos torcedores e as declarações pós-jogo. Kompany foi enfático ao afirmar que a reação emocional de Vinicius Junior não poderia ser forjada.

A autenticidade da reação e o apoio de Mbappé

Para Kompany, a decisão de Vini Jr. de procurar o árbitro no calor do momento demonstrava uma convicção genuína, sem que houvesse qualquer benefício em fazê-lo. Ele reforçou essa percepção ao mencionar o apoio do atacante Kylian Mbappé, normalmente mais diplomático, que se posicionou claramente sobre o que viu e ouviu durante a partida, endossando a versão do jogador brasileiro. Em contraste, o jogador do Benfica, Gianluca Prestianni, teria tentado se esquivar das acusações.

As críticas de Kompany à postura de José Mourinho

Vincent Kompany não poupou críticas a José Mourinho, treinador do Benfica, pela forma como abordou o incidente. Segundo Kompany, Mourinho “atacou basicamente o caráter de Vini Jr.” ao insinuar que a celebração do gol do brasileiro descredibilizaria a acusação de racismo. Essa abordagem foi considerada por Kompany como um “grande erro em termos de liderança”, minimizando a seriedade de uma denúncia de racismo ao invés de investigá-la.

O uso inadequado do legado de Eusébio

Um ponto de discórdia para Kompany foi a menção de José Mourinho ao lendário Eusébio, sugerindo que o Benfica não poderia ser racista por ter tido um jogador negro tão emblemático em sua história. Kompany questionou a validade desse argumento, lembrando as dificuldades enfrentadas por jogadores negros nas décadas passadas e a falta de vivência de Mourinho nesse contexto para usar o nome de Eusébio contra a denúncia de Vini Jr. O técnico belga expressou respeito por Mourinho como profissional e pessoa, mas reiterou que o colega cometeu um erro significativo e espera que não se repita.

A perspectiva de José Mourinho sobre a polêmica

Por sua vez, José Mourinho ofereceu uma versão distinta dos fatos. Ele declarou ter conversado com ambos os jogadores, Vinicius Junior e Gianluca Prestianni, e não conseguiu tomar partido, alegando que cada um apresentava uma versão diferente. Mourinho evitou cravar a existência do racismo, focando sua crítica na celebração do gol de Vini Jr.

A controvérsia da celebração e a ambiguidade

O técnico do Benfica reprovou a forma como Vinicius Junior celebrou o gol, dançando na bandeira de escanteio, e sugeriu que o jogador deveria ter comemorado com seus companheiros em vez de “mexer com 60.000 pessoas” no estádio. Mourinho, conhecido por suas próprias táticas de provocação, comparou a situação a outros estádios onde tais celebrações geraram controvérsia. Ele admitiu a genialidade de Vini Jr., mas insistiu que a celebração foi o ponto final da partida e o foco da sua repreensão, mantendo uma postura ambígua quanto à acusação de racismo.

Conclusão

O debate entre Vincent Kompany e José Mourinho evidencia a complexidade do combate ao racismo no futebol. Enquanto Kompany defende a autenticidade da vítima e critica a relativização do problema, Mourinho adota uma postura mais cautelosa, focando na conduta do jogador em campo e evitando uma condenação explícita do racismo. Este episódio sublinha a importância de uma abordagem unificada e responsável por parte de todos os envolvidos no esporte, para que as denúncias de racismo sejam tratadas com a seriedade que merecem e para que o futebol possa ser, de fato, um ambiente inclusivo e respeitoso para todos.

Perguntas frequentes (FAQ)

**Qual foi a acusação de Vinicius Junior?** Vinicius Junior acusou Gianluca Prestianni, do Benfica, de tê-lo chamado de macaco durante uma partida da Champions League.

**Por que Vincent Kompany defendeu Vini Jr.?** Kompany defendeu Vini Jr. porque acreditou na autenticidade da reação emocional do jogador brasileiro e criticou a tentativa de descredibilizá-lo.

**Qual foi a postura de José Mourinho em relação ao incidente?** Mourinho não tomou partido, alegando que os jogadores apresentaram versões diferentes. Ele criticou a celebração de Vini Jr. no campo, considerando-a uma provocação aos torcedores.

**Como Kompany criticou o uso do nome de Eusébio por Mourinho?** Kompany considerou inadequada a menção de Eusébio por Mourinho para argumentar que o Benfica não poderia ser racista, pois minimizava a luta histórica de jogadores negros contra o preconceito.

Para aprofundar-se nos desafios e avanços do combate ao racismo no esporte, explore análises e discussões sobre o tema e contribua para um ambiente mais justo no futebol.

Fonte: https://placar.com

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