Dívida do Santos com Cuiabá por Joaquim aumenta R$ 6,5 milhões

Klaus Richmond

O Santos Futebol Clube enfrenta um novo e considerável revés financeiro após ser condenado pela Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) a pagar uma dívida do Santos significativamente maior ao Cuiabá Esporte Clube. A condenação, relacionada à compra e venda do zagueiro Joaquim, agora no Tigres-MEX, eleva o montante original em quase 50%. De um valor inicial de R$ 13.061.725,50, a quantia a ser desembolsada pelo clube paulista saltou para R$ 19.544.836,03, representando um acréscimo de mais de R$ 6,4 milhões que impacta diretamente os já fragilizados cofres da equipe.

O aumento significativo da dívida

Detalhes da condenação e valores

A sentença da CNRD revelou que o aumento da dívida do Santos com o Cuiabá é resultado de uma série de acréscimos devido à inadimplência. Inicialmente, o Santos devia R$ 6.154.300,00 pela última parcela da compra de Joaquim, somados a R$ 1.941.300,00 e R$ 4.966.125,50 referentes ao percentual de repasse da venda do atleta ao Tigres-MEX. Este totalizava os R$ 13.061.725,50. No entanto, o atraso no pagamento desencadeou cláusulas contratuais que elevaram drasticamente esse montante.

Impacto das multas e honorários

O contrato entre os clubes previa uma multa de 30% por inadimplência. Com a aplicação dessa penalidade, o valor principal ascendeu para R$ 18.569.171,54. Além disso, foram adicionados R$ 47.205,92 a título de custas processuais e expressivos R$ 928.458,57 destinados aos advogados do Cuiabá como honorários de sucumbência, que são pagos pela parte perdedora. Esses acréscimos transformaram a obrigação financeira em um montante final de R$ 19.544.836,03, com uma diferença de R$ 6.483.110,53 em relação ao valor original.

Riscos de sanções e histórico do clube

Possíveis punições da CNRD

O Santos tem um prazo de dez dias, a partir da intimação da CNRD, para recorrer da decisão. Contudo, o processo de recurso no Centro Brasileiro de Mediação e Arbitragem (CBMA) implica um custo aproximado de R$ 400 mil. Caso o clube não recorra ou não efetue o pagamento da dívida, a Divisão de Regulação da CNRD poderá aplicar severas sanções. Essas incluem o bloqueio e repasse de receitas da CBF ou federações, devolução de premiações, e, o mais crítico, a proibição de registrar novos atletas por períodos que variam de seis meses a dois anos, ou por um ou dois períodos completos de registro internacional.

Reação do Cuiabá e precedentes

O Cuiabá, por sua vez, manifestou que espera o recebimento imediato do valor integral da dívida. O clube mato-grossense declarou que não aceitará o uso de expedientes processuais para adiar o que é devido há quase dois anos, citando um histórico de não pagamentos por parte do Santos. Foram mencionados casos anteriores como as cobranças do Arouca, de Portugal, e do Monaco, da França, que só foram quitadas após o Santos sofrer o temido “transfer ban” da FIFA. O Cuiabá criticou ainda que, nesse período de dívidas, o Santos “seguiu contratando”, e mencionou dívidas de outros clubes com o Dourado, como Corinthians, Grêmio e Sport, totalizando mais de R$ 40 milhões.

Cenário financeiro crítico do Santos

Dificuldades no fluxo de caixa

A situação financeira do Santos é descrita como “dramática”, beirando um colapso. O clube admite publicamente não possuir os recursos necessários para quitar pendências urgentes, como as duas últimas parcelas dos direitos de imagem dos jogadores, com a mais recente vencida recentemente. Não há prazo definido para a regularização desses pagamentos. Essa crise se estende a prestadores de serviços essenciais, como a empresa World Sports, responsável pela manutenção do gramado da Vila Belmiro, que acumula cinco meses de atraso no recebimento, totalizando uma dívida de quase R$ 500 mil.

Desafios na gestão e planejamento

Apesar de resultados esportivos recentes positivos, o panorama financeiro continua desolador. Há cerca de um mês, o clube teria tentado antecipar receitas do Campeonato Paulista junto à Federação Paulista de Futebol (FPF) para aliviar o caixa, mas o pedido não avançou. O insucesso no planejamento esportivo arriscado e a eliminação precoce na Copa Sul-Americana pesam contra o clube, que, ciente da estratégia agressiva, investiu em nomes de peso na última janela de transferências, o que agora agrava sua posição financeira.

Conclusão

A recente condenação da CNRD representa um duro golpe nas finanças do Santos, adicionando milhões a uma dívida já complexa e expondo o clube a riscos de sanções graves. A insistência do Cuiabá por um pagamento imediato e o histórico de inadimplência do Peixe indicam que a batalha financeira está longe de terminar. Enquanto o clube luta para reverter a decisão ou encontrar formas de quitar o montante, o cenário de caixa permanece crítico, exigindo ações urgentes para evitar um aprofundamento da crise e a consequente paralisação de suas operações no mercado de transferências.

FAQ

Qual o valor total da dívida do Santos com o Cuiabá após a condenação?
O valor total da dívida saltou para R$ 19.544.836,03.

Por que a dívida original do Santos aumentou em R$ 6,5 milhões?
O aumento ocorreu devido à aplicação de uma multa de 30% por inadimplência, acréscimo de custas processuais e honorários de sucumbência para os advogados do Cuiabá.

Quais as possíveis sanções que o Santos pode enfrentar se não pagar ou recorrer?
As sanções incluem bloqueio de receitas da CBF, devolução de premiações e, mais grave, a proibição de registrar novos atletas por períodos de seis meses a dois anos, ou por um ou dois períodos completos de registro internacional.

Qual é o prazo para o Santos recorrer da decisão?
O Santos tem um prazo de dez dias a partir da intimação da CNRD para recorrer da decisão.

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Fonte: https://placar.com

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